sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Réu ou Juiz?


“Falar é tão fácil / É mais fácil acusar / No papel de juiz todos querem ficar”. (Oficina G3)


Diariamente, trilhamos complexos caminhos, tanto nas ações quanto na nossa psique, mas nem sempre vamos na direção certa.
Por um lado, há quem diga que somos completamente responsáveis pelo que fazemos e, por outro, que somos vítimas do sistema, da sociedade e das nossas limitações.
Contudo, todos nós temos um pouco de culpa e inocência. Duvido que alguém seja tão perfeito a ponto de nunca errar ou tão falho que jamais fez algo correto. Infelizmente – ou felizmente – estamos no mesmo barco, somos todos iguais.
Porém, o egoísmo e o orgulho impedem-nos de pensar dessa maneira, já que a nossa lógica é sempre ganhar e ser melhor do que as pessoas ao nosso redor.
Dessa forma, não suportamos a idéia de uma pessoa que nunca gostou de estudar ter sucesso na vida, enquanto que nós esforçamo-nos ao máximo e nem sempre somos tão socialmente e economicamente sucedidos. Pior ainda é pensar no ladrão que rouba desde criança, já matou cinco pessoas e nunca foi preso.

Não quero tirar a responsabilidade desse tipo de pessoa, mas ninguém questiona os motivos para tal comportamento. Não percebemos que esses supostos vagabundos são muito mais que um pedaço de malandragem e maldade.

Julgamo-nos tão inteligentes, corretos e esforçados, mas isso é fácil quando temos o que comer; dinheiro para “comprar” conhecimento e boas maneiras; uma família presente e não muito problemática. O problema é ter vontade de estudar quando se está com fome, materiais escolares horríveis, o pai preso e a mãe desempregada.

Como se não bastasse, o menino pobre olha ao seu redor e vê pessoas esbanjando dinheiro, sempre comprando futilidades e indiferentes à fome dele e ao tão desejado sonho de ganhar uma bicicleta no natal. Será que ele é o culpado de tudo? Infelizmente, somos todos culpados, até mesmo quando inocentemente compramos o mais novo tênis da Nike.

E é lógico que, diante disso, é bem melhor roubar e, se necessário, matar, até porque esse menino não tem muito a perder, a vida dele já é uma droga mesmo, ser morto ou preso não vai piorar muito a situação.

Agora, se você me perguntar se eu seria compreensível com um malandro que roubasse a minha bicicleta, é lógico que não! Estas palavras não foram escritas por um computador, insensível e programável. Sou culpado, sou inocente, sou egoísta, sou solidário, sou racional, sou contraditório e, acima de tudo, sou humano.

Se não conseguimos fazer o que é certo, pelo menos deixemos de ser hipócritas...

Patrick Moreira

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